segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Normal

Com uma roupa velha, dessas pra ficar em casa, eu resolvo escutar um House daqueles que te dão uma felicidade momentânea dos livros de auto ajuda.
O penteado com o elástico de cabelo vagabundo é o que me dá esse ar de domestica no momento. Eu sigo arrumando as pastas cheias de contas e os restos que se acumulam com o passar dos meses, enquanto me incomodo com algumas paranóias comuns da vida, tipo trabalho, responsabilidades...
É me sentindo sozinha que começo com a paranóia mental. Será que estou produzindo o suficiente? Sempre acho que posso fazer mais, escrever mais, ler, assistir, mas parece que sexta-feira chega antes de todas as minhas responsabilidades.
E mesmo hoje sendo sábado, eu continuo trabalhando idéias de trabalho, de vida, e de relacionamentos.
Me dá preguiça ate pra fazer xixi, e quando eu jogo o meu corpo pra trás encostando na tampa da privada, ela solta um ar como se suspirasse junto comigo.
Quase sufocada eu já não enxergo mais aonde cheguei, só onde preciso chegar, eu preciso correr, ler, trabalhar, escrever, estudar. Nossa que desespero e de tanta falta de ar eu me pego etiquetando pastas que contém o meu passado esquecido de tanto pensar num futuro ideal.
Lembro da minha idade, de como é chato fazer aniversario agora, de ter quase 26 e ainda não poder comprar um cachorro, simplesmente por ter matado de novo as violetas.
A casa é limpa enquanto limpo as minhas paranóias. Resolvo lavar a louça de mais um jantar com amigos, onde falamos de projetos. O futuro me persegue e me sufoca de ansiedade, mas o molho agridoce grudado no prato consegue me distrair por alguns segundos.
Já me livrei da sujeira na pia, e acendo um incenso com cheiro de uma outra época onde a responsabilidade se baseava entre 0 e 10, com uma média 5.
Consigo por alguns segundos sentar no sofá da minha casa e respirar.Às vezes eu me sinto ridiculamente normal! Eu sou apenas uma pessoa que como qualquer outra, tem responsabilidades e sonhos. Lava a louça e curte a própria casa. Tem um pânico imenso de não conseguir fazer tudo que sonha, mas às vezes lembra de tudo que já conseguiu.

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