sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Quantos anos eu tenho?

Chegou um estagiário novo hoje no escritório, e quando eu fui dar oi pra ele, eu estendi o meu braço e o cumprimentei com um aperto de mão. Quem será que eu penso que eu sou? Na hora eu vi que o cara achou estranho, e é claro que eu devo ter passado por esnobe, mas eu faço essas coisas sem querer.
Ele tem 19 anos e eu 25! Se eu fosse a Monique Evans poderia estar trocando numero de telefone com ele.
O coitado deve olhar pra mim e pensar – Quem é essa louca de fivelinhas no cabelo, All Star e broche de florzinhas me dando a mão? Se pelo menos ela estivesse de calça social...
Eu tenho essa mania de me achar sempre muito mais velha do que sou. Uma pressa em fazer as coisas porque o meu tempo passa mais rápido que o seu, e do resto do mundo.
Namoro sério desde os meus 15 anos. Fui trabalhar muito cedo, sendo que eu nem precisava do dinheiro. Com 20 anos já queria morar sozinha, e acabei me mudando com 24.
Mas quando é que a gente vira adulto? Tem que esperar fazer 30, cabelo branco, entender de ações?
Já posso me casar, votar, conduzir automóveis, consumir bebidas alcoólicas, fumar, mas mesmo quando eu não podia fazer nada disso, eu já me sentia capaz de fazer tudo isso, e acabava fazendo mesmo.
A primeira vez que me senti adulta, o cenário não era dos mais agradáveis, sofrimento, angustia, e muito peso nas minhas costas ainda fininhas e sem alças ou fechos de soutien.
A primeira vez que me senti adulta me senti também impotente, preferi olhar para os meus tênis de velcro ao invés de tentar chamar a atenção de alguém chorando e esperneado deitada no chão.
A primeira vez que me senti adulta, eu só fui, porque eu precisava.
Pensando assim, agora dá pra entender porque algumas pessoas nunca viram adultas, elas não precisam ser adultas.

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