segunda-feira, 3 de março de 2008

Recomeçar

Uma das coisas mais chatas que existem no mundo é terminara um relacionamento, e eu virei a página ainda meio confusa, lembrei daquela frase brega que diz, “bola pra frente”, e segui a minha rotina, mais uma vez no clima de que ta tudo bem, ta tudo certo, afinal de contas, por quê não estaria tudo bem na vida de alguém com 26 anos, bons amigos, um trabalho legal, e um allstar novo? Hein?
Sem dramatizar eu continuo ouvindo os mesmos cds, vendo os filmes e programas de TV de sempre, e relendo os livros que eu tanto adoro, doa a quem doer... Acredito assim, vencer a saudade pelo cansaço.
Confesso que é um pouco chato esperar por algo que vc não sabe exatamente o que é, e não há nada pior que o silêncio quando vc precisa escutar qualquer enganação barata. Foi aí que eu percebi que pior que terminar é começar, dá uma preguiça ter que fazer tudo de novo...
Se contar até 10 realmente ajudasse, eu teria me sentido melhor depois que me peguei contando quantos passos dão até a rua daquele cara interessante que mora no meu bairro, e eu percebi duas coisas, primeiro que conto pra não pensar, e segundo que isso não é uma atitude das mais saudáveis.
Um dos perigos da carência é o ataque de consumismo, e comigo não foi diferente, comprei um vestido xadrez que tem um botão super brega. Pensei em usar com o meu allstar azul, uma menina de vestido xadrez com botão brega não tem muito tempo pra se lamentar, e é assim que eu escolho ser vista, estranhamente despreocupada.
As tarefas da vida adulta me ocupam grande parte do tempo, de resto eu curto uma ansiedade infantil que há muito não me visitava. Repito mentalmente que ainda sou muito jovem, pego bode de mim, e depois sinto pena, no fundo eu não faço por mal, mas como só tem eu por aqui, acabo levando a culpa.
Tanto faz se é segunda, terça, ou sexta, sinto a mesma coisa em todas as semanas, que em pouco tempo formam um mês, e mesmo empurrando as coisas com a barriga, eu me pergunto se viver esperando as semanas passarem não é um tanto quanto injusto com a vida.
Ninguém garante que pode me fazer feliz, então isso me deixa triste, mas aí percebo que só eu posso me fazer feliz, então fico feliz de novo, e nessa paranóia eu sigo tristemente feliz. Por pura vingança iludo alguém e me sinto no comando por alguns segundos, nada que dure o suficiente pra ter valido a pena. E mesmo cagando na minha cabeça, os pássaros voltam a cantar, as coisas me lembram outras coisas além de vc, e o celular espera as mensagens e ligações novas. O que me resta agora é espantar a preguiça, e me esforçar pra sentir alguma coisa.
Fica fácil encontrar coragem quando se levanta de um tombo, meu medo mesmo é permanecer sentada, abrir uma revista e comer um pacote de Doritos. Meu medo é optar por não sentir mais nada.

3 comentários:

Anônimo disse...

fantastic!
I.

Doce de Coco disse...

caralho Camila
vc escreveu o que eu teria escrito se soubesse escrever

Anônimo disse...

Viajamos num planetinha que roda a uma velocidade supersônica e não sabemos onde vai para...Nem quando. Assim, o importante é aproveitar todos os momentos da melhor maneira possível e fazer algo que deixe alguma melhora para a "galera" que vem atrás da gente e que vai continuar vindo.
Remoer sentimentos não ajuda muito. temos muita coisa para fazer durante o dia para fazer o "trem andar para frente" e sem perder a capacidade de admirar as coisas belas que nos acompanham e aguçam a nossa sensibilidade.
penso que ainda temos uma percepção muito limitada dessa coisa toda, mas alguns "insigths" apontam alguns caminhos. É ver e perceber.
Seu depoimento inicial no BLOG demonstra inteligência, sensibilidade e grandes possibilidades de crescimento, iluminação e aprendizado; que, afinal, penso que é o que melhor que temos a fazer nessa jornada.

Abraço fraterno a todos.

Sergio Leal