Eu voltava do analista a pé e pensativa, como eu sempre volto, ou vou, pra qualquer lugar aqui no meu bairro. Na verdade extremamente pensativa, parece que é só sair de dentro daquela sala depois de ouvir e falar tudo, que o mundo já fica com outra cara. E eu me sentia mais uma vez estranha, achando o mundo enorme, cheio de gente, carros, construções, problemas, e sem tempo para pesquisar o que seria a porra da Aurora Boreal que ficou na minha cabeça depois de ver uma notícia no site Uol. Eu sei que é alguma coisa no céu, mas com esse nome a gente pode esperar qualquer coisa...
A nuvem preta se aproximava, e com medo da monstruosa chuva que estava por vir, eu apertava o passo. O problema não era molhar o cabelo, até porque, ele estava molhado do banho matinal, mas estando de havaianas eu sinto muito nojo quando chove e o meu pé fica molhado.
Parece que o ritmo dos pensamentos acompanha a pressa dos meus passos, e mudando de Aurora Boreal para a eterna dúvida Ritz, ou Almanara, eu senti um pingo bem forte na minha cabeça, daqueles pesados mesmo. Assustei, o pingo escorreu para o meu rosto, mas sem tempo para secar, eu só me preocupei em atravessar o farol da 9 de julho, que quando fecha para os pedestres, é eterno!!!
Já do outro lado da rua, cocei o meu nariz que ainda estava meio molhado pelo pingo, e fiquei com medo de um cara que me encarava como se quisesse falar comigo, ele olhava pra mim, meio que apontando, sei lá, coisa de doido mesmo. Consegui desviar do tal maluco, sentindo medo de toda a situação bizarra, e cheguei até o Hall de entrada do prédio onde trabalho. Reparei uma sujeira estranha nos meus dedos ao apertar o botão do elevador, uma coisa meio arenosa, barrenta...
O elevador chegou, e pra minha sorte eu estava sozinha dentro dele, fiquei chocada com a minha imagem refletida no espelho. A sujeira da minha mão, nada mais era que um puta coco que algum passarinho FDP tinha feito bem no meio da minha cabeça. O coco, obviamente, escorrido até o meu nariz, me fez sentir pena do único cidadão que tentou me avisar e foi completamente ignorado. Por favor, imaginem a cena – Agora eu lavo a franja aqui na pia do escritório, usando aqueles sabonetes de lavabo que a gente aperta a válvula e escorre o liquido rosa. Moral da história, quanto mais vc pensa nas coisas, e quanto mais profunda vc é, sempre tem alguém cagando na sua cabeça!
4 comentários:
hahahha mto bom!!!! aii chamille só vc...bj
Leka
tenho estado por aqui mais do que os passáros cagam na cabeça... quero mais!
Isa
Ameeeeeeeeeeeeeeeei... vc sempre surpreendendo com a sua criatividade.
Escreva mais por favor!!!!!!!!!!!!!
Muito engraçado Ca!!!!!!!! Bjo
Leo
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