sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Carnaval do Toy Art

Mais uma vez, contrariando o resto do Brasil, eu optei por silêncio e paz no meu carnaval 2008. Vestida confortavelmente com a coleção outono/inverno 2004, que faz o papel de pijama perfeito, sentei no sofá para a principal atividade do feriado na praia nublada, a analise completa de todos os quase famosos que chacoalham o esqueleto nos desfiles das escolas de samba, afinal de contas, eles estão ali pra isso mesmo.
Enquanto eu tomava uma deliciosa sopa de beterraba, pude constatar pela milésima vez que, uma pessoa careta, sentada na sala em pleno carnaval, incomoda muito mais do que qualquer bêbado vomitando na piscina. Alguém pode me explicar porque raios é tão inaceitável atingir a paz interior em pleno carnaval? A opção beterraba ao invés da cevada me transforma em alguma espécie de alienígena?
Observando as mulheres seminuas do carnaval, eu me perguntava constantemente - que porra ta acontecendo no mundo? Se eu sou uma alienígena, as mulheres da Sapucaí só podem ser o resultado de uma mutação genética, devido aos gases tóxicos da minha nave espacial. É quase obvio pensar que uma coxa absurdamente grossa sirva pra carregar uma bunda absurdamente grande, que combina com o par de peitos incrivelmente falsos e me fazem lembrar da velha teoria da melancia no pescoço.
E então, uma repórter tenta entrevistar uma loira no meio da bateria, na minha modesta opinião, o lugar perfeito pra quem não tem nada interessante a dizer e muito interesse em aparecer, mas para a minha infelicidade, ela conseguiu contar direitinho a plástica feita pra ficar japonesa na avenida. Oi? Isso mesmo, ela puxou os olhos com um fio interno, só pra combinar com o samba enredo que homenageava os nipônicos. Mas ela deixou claro, que a plástica é reversível, combinado? Logo depois dessa informação valiosa, ela tentou mostrar o seu samba no pé, que me fez lembrar um frango segundos antes do abate. Pelo amor de Deus, onde estão as nossas mulatas? Olhar pra avenida e ver semiglobais ocupando lugares onde qualquer mulata daria show, me dá um pouco de deprê.
O mais impressionante é a padronização das bocas botocadas, deve ter rolado uma oferta imperdível em alguma clínica de estética. Pague o lábio inferior e ganhe o superior.
Pensando bem, tudo isso deve ser uma tendência com a chegada do Toy Art no Brasil. Sabe aqueles bonecos personalizados e bem esquisitinhos? Pois é, qualquer miniatura dessas mulheres com caras puxadas, bocas tortas, e pedaços do corpo completamente desproporcionais, venderia como água nas lojas de Toy. Moço, já chegou o modelo Angela Bismark?

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