quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Meio sem saco...

Jogada no sofá eu me sinto tão amanhecida quanto às batatinhas dentro do saco que foi aberto ontem, e eu percebo que nem elas estão tão moles quanto eu...
Ta tudo revirado, mal arrumado e jogado de qualquer jeito pela casa. Parece um cenário que foi montado exatamente para explicar a minha cabeça nesse momento.
Meu celular tenta comunicação comigo, mas eu não vou atender. A rua tenta desviar a minha atenção com os seus inúmeros barulhos, mas é completamente ignorada. E a geladeira de tão vazia, já ta fazendo barulho de estomago, mas o problema é todo dela porque eu também não vou comer.
Eu quero ficar aqui, na ocupação de mais um objeto, e, assim eu continuo ignorando completamente o mundo, ou qualquer outra existência. Parece muito surpreendente, mas viver, cansa!
Eu sou um móvel. Aceito servir de apoio, ser lustrada, encerada. A idéia de ser só mais um detalhe me agrada muito, de tão cansada de ser gente, eu acabo de me tornar uma coisa.
Unhas foram roídas porque como qualquer objeto velho, tenho os meus cantos desgastados. A minha alma foi levada pelo vento e faz papel de cortina pendurada para fora da janela como se segurasse.
Estática e me decompondo eu faço questão de perder tempo, e então assisto as traças me esfarelando, e de repente, eu faço parte da cadeia alimentar.
Eu não vou sair, não vou conversar, explicar, participar, ou fazer parte de algo. Preciso por ordem aqui dentro primeiro, depois penso no resto das coisas.
O máximo que eu posso fazer hoje é escrever, e é através desse texto, que vc será capaz de fazer parte da minha vida.
Obrigada por ler...

4 comentários:

Fernanda Barros Carvalho disse...

bom hein, de conteúdo humano!

Anônimo disse...

Ah, de nada gata ;)
O prazer foi meu.

Anônimo disse...

Escreva até se tornar um objeto calejado, daqueles que vc olha e vê suas cicatrizes, sua história e é capaz de imaginar por onde esteve, quem já o usou, compreendeu e depois de cansar-se deixou na calçada a espera da mudança.

Estamos aí pro que der e vier!

I.

.:nani:. disse...

demais!